Crítica ao Fanatismo Ateísta

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[Depois de 450 linhas de versículos do velho testamento…]

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Situações como essa acontecem o tempo todo na internet, onde impera o anonimato e vemos como as pessoas realmente são. O mesmo acontece em discussões políticas.

A Karina nem é cristã (!). Levando isso em conta, o que podemos dizer do atual estado das coisas na interwebs brasileira? Não tenho a pretensão de dizer como outra pessoa deve pensar, mas isso demonstra fanatismo, extrema ignorância e, devo dizer, burrice.

Alguém poderia dizer: “fundamentalismo ateu é um oximoro: uma ficção ilógica como ‘círculo quadrado’.”
Talvez. Mas ninguém pode negar que exista o fanatismo ateu.

O fanático ateu acredita que é seu dever e obrigação levar o evangelho ateu à toda criatura. A boa nova de que “Deus está morto” fará, por si só, o mundo ser um lugar muito melhor e mais avançado tecnologicamente (como nos mostram os belíssimos Estados ditatoriais ateus ao longo da história [1]). O fanático não hesitará em cuspir ad hominems e afirmações carregadas de apelo à autoridade pra defender com unhas e dentes sua posição, como se fosse o detentor da verdade absoluta. Ele é, portanto, aquele que faz uso de paralogismos, e não argumentos de verdade, para pregar seu credo [2], babando ódio. Ele acha que desvendou o maior mistério do Universo, que “tudo veio do nada através de flutuações quânticas”, como prega Krauss, mas não sabe derivar nem integrar um polinômio.

Mal sabem que os verdadeiros ignorantes, burros e despreparados são eles, os fanáticos. São ignorantes na medida em que não sabem o mínimo de filosofia para construir um debate ético, com respeito ao interlocutor, e acham que a filosofia e a metafísica são totalmente inúteis; e que a ciência é a “verdade sagrada”, se afogando no cientificismo positivista [3]. Cultuam cegamente e religiosamente ídolos como Carl Sagan, Lawrence Krauss, Richard Dawkins e Sam Harris [4]. São burros porque ignoram o contexto político e histórico no qual a Bíblia foi escrita, e não sabem que a essência do cristianismo é o novo testamento, especialmente os evangelhos – até o meu papagaio albino consegue refutar o velho testamento. E despreparados porque não sabem o mínimo sobre argumentação e lógica, vomitando falácias mais rapidamente do que uma prostituta pega DST’s.


Escolho minhas palavras com cuidado. Falei tudo isso só pra dar um gostinho, a essas pessoas, de como é ser chamado de burro e ignorante. Se a carapuça serviu, agora você já sabe como é.

O que importa não é a crença em si, mas a ignorância [no sentido de falta de conhecimento]. Essa é que deve ser erradicada! E isso se faz com educação de alto nível, coisa rara no Brasil. Muitas pessoas deixam a religião após um entendimento pleno da natureza da realidade, mas não é a regra; muitas pessoas inteligentes têm religião; e é possível conciliar uma visão de mundo realista com uma crença mais sofisticada de Deus.

Fanáticos, de todo tipo, se esquecem do significado de Estado laico: o direito à crença (ou à não-crença). Isso, para mim, significa que o proselitismo religioso é algo tão execrável quanto o proselitismo ateu (aliás, proselitismo que acaba criando ateus modinha ignorantes, que por sua vez acabam legitimando a imagem negativa do ateísmo na sociedade). Isso não me impede de continuar curtindo os vídeos sensacionais do Conexão, ou do Darkmatter2525, mas ninguém é obrigado a assisti-los e nem é necessariamente burro por discordar deles.

Não quero dizer que debates sobre ciência e/ou religião são inúteis ou coisa do tipo, eles são extremamente necessários, mas é preciso um mínimo de humildade e prudência para que seja algo produtivo e os dois lados saiam ganhando.

“A gente tem que perder o medo de ser contestado. O outro fortalece nossas opiniões corretas (através da confrontação com o erro) e ajuda a desfazermos as falsas (fazendo-nos trocar o erro por verdade). Nosso opositor nos fortalece os nervos e a inteligência. É a discordância que nos constrói.”
Lisiane Pohlmann

Eu admiro muito Clóvis de Barros Filho, Carl Sagan, Richard Feynman, Arthur Clarke, Isaac Asimov, Albert Einstein, Immanuel Kant, Suzana Herculano-Houzel, Marcelo Gleiser, Douglas Adams, George Carlin, Schopenhauer, Pierluigi Piazzi, Salman Khan, entre outros, mas não tomo suas palavras como se fossem a verdade sagrada que lhes foi entregue no Monte Sinai. São humanos e cometem erros como qualquer um; possuem suas limitações. Não dá pra ser bom em tudo.

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Clique para ampliar – abrirá em outra aba.

É evidente que o nível educacional do Brasil é um dos piores do mundo; e se quisermos um país melhor, precisamos de pessoas que saibam pensar melhor para resolver nossos maiores problemas, inventar coisas novas e trabalhar no limite do conhecimento para competir com grandes universidades internacionais na produção científica e nas artes.

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Portanto, como já se está acostumado a ler coisas absurdas por aí, muita gente tende a ser agressiva sem nem considerar direito o que o outro está dizendo (vide exemplo inicial). Eu mesmo perco a paciência quando, por exemplo, alguém tenta defender alguma sandice dita pelo astrólogo pseudofilósofo “Olavo de Carvalho”. Mesmo assim, precisamos fazer um esforço, ter paciência, não deixar a emoção falar mais forte que a razão e se colocar no lugar do outro.

Vamos imaginar a seguinte situação: um muçulmano te diz que Maomé ascendeu aos céus montado em um cavalo alado, e quem não acreditar nisso terá que gargarejar a porra do Capeta por toda a eternidade, pois “a fé é a maior virtude de todas”, e “quem não tem fé em Alá merece queimar”.

Como lidar com isso? Não faço a menor ideia. Só sei que dizer pra ele “você é burro e ignorante e acredita em um merda (Alá)” não o fará mudar de ideia. Pelo contrário: isso será totalmente contraproducente e fará essa pessoa te odiar, dando ainda MAIS ênfase à sua crença de que “quem não crê em Alá deve ser sodomizado(a) por Lúcifer para todo o sempre”.

...

Chega a ser “bissarro” tamanha ignorância. Precisamos ter um mínimo de empatia, tentar entender como a outra pessoa pensa, e construir nossa argumentação com cuidado, sem falácias lógicas nem insultos gratuitos. Pensar duas vezes antes de clicar em “enviar comentário”. Aliás, se perguntar: “eu falaria isso se essa pessoa estivesse na minha frente?”

É preciso admitir (pra nós mesmos) que não somos donos da verdade absoluta e estarmos dispostos a mudar de opinião, caso perceba que se está errado. Eu achava que o ateísmo fosse algo importante. Eu estava errado. Meu ateísmo é algo irrelevante, não define meu caráter, minha (pouca) inteligência, não define absolutamente nada.

Há trilhões de mistérios não resolvidos e não podemos ter a presunção (a mesma certeza do dogma religioso) de responder perguntas que não têm resposta e que estão além do escopo do método científico.

Para encerrar, escrevamos todos esse aforismo na parede do quarto pra nunca mais esquecermos:

“Sempre que tiver vontade de criticar alguém, lembre-se de que nem todo mundo teve as oportunidades que você teve.”
– O grande Gatsby. Fitzgerald, F. Scott.

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Dica de leitura: Esse excelente artigo da Galileu nos ajuda a entender melhor o fenômeno do fanatismo.

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Notas:

  1. O que eu quis dizer aqui é que a correlação entre países com alto IDH e baixa religiosidade não implica em causalidade. Em outras palavras: a baixa religiosidade não foi causa do alto IDH. Aliás, nesses países existe a liberdade de crença. Em Estados ateus não existe essa liberdade, e eles não são melhores por causa disso.
  2. Por que o ateísmo é uma crença [Ainda não li, então não sei se concordo com o título. Meu entendimento atual é de que existem dois tipos de ateísmo, um deles é uma crença, o outro não.]
  3. Seis Sinais de Cientificismo (Positivismo)
  4. Nada contra nenhum deles, o problema é outro, como deve ter ficado claro, espero.
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Sobre Leandro Ricardo

Student. Book eater. Early 20's. I write about things no one cares. https://www.youtube.com/c/leandroricardo27
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